Sónia Moreira

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Como médica e mãe criei este espaço de partilha de informação e de experiências. Ora mais formal, com referências bibliográficas científicas fidedignas para manter os interessados sobre o tema o mais atualizados possível. Ora mais informal, mostrando o lado mais humano dos médicos e pondo a descoberto alguma da experiência que tenho adquirido nestas “areias movediças” que são a Maternidade.

Os protagonistas deste blog são o Pedro, o Pai e o Pirata, rafeiro que adotamos em Junho de 2015 sob o olhar atento desta Mãe/ Esposa/ Médica. Leiam, coloquem dúvidas e partilhem, prometo escrever sobre os mais variados temas que despertam naqueles que convivem com mais “Pedros”, “Pais” e “Piratas”.

UM DIA MAIS MÃE, OUTRO DIA MAIS MÉDICA!
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Quantos dias deve manter o seu filho afastado da escola em caso de doença?

Ser mãe é das experiências mais gratificantes que qualquer mulher pode ter. A maternidade foi para mim uma alteração muito grande do meu tempo, da minha disponibilidade e das minhas rotinas. Vá, talvez não fossem verdadeiras “rotinas”, pois tanto podia jantar às 19h como às 22h ou  dormir ao domingo até ao meio dia, que corria tudo bem.

Aquela ervilhinha que vemos a piscar na 1ª ecografia começa, desde cedo, a dar-nos a volta ao “sistema”. Talvez a uns mais do que outros, mas sem dúvida que esta experiência altera para SEMPRE o nosso ser e o nosso estar. Quando o Pedro nasceu, houve necessidade de adaptação de todo o nosso o dia a dia para cumprirmos com uma rotina cíclica que não estávamos habituados. A licença de maternidade serve mesmo para isso (Leia mais no link “A licença de maternidade não são férias“)! Para nos adaptarmos mutuamente e crescermos à medida do seu crescimento.

No meu caso, tive que deixar o Pedro desde cedo na creche, por volta dos 5 meses e meio (como deixa a maioria) e até então… Tudo estável: rotinas, sono, amamentação. E quando finalmente já estamos em modo automático, com tudo”controlado” e previsível começa o CAOS. Começa a diversificação alimentar, adaptação à creche, alterações nas rotinas que tínhamos em casa, alterações no sono, erupção dentária. E como se não bastasse, somem, não desculpem…. MULTIPLIQUEM estas mudanças todas com o início das doenças/ viroses/ infeções. Se o resto estava mal, com doenças “ao barulho” fica tudo ainda pior. Para mim, este é o lado NEGRO da maternidade.

Julgava que a amamentação e contato com animais funcionasse como “escudo” protetor das infeções que surgem frequentemente nos primeiros anos de infantário/ creche/ escola. Ajuda, mas não aniquila as probabilidades de adoecerem (Leia mais em “Os Piratas fazem bem às crianças?“)! Quanto mais pequenos são, maior a sensação de impotência, pois não “expressam” com facilidade os seus desconfortos. Fica tudo ainda pior ou potenciado se somos mães de 1ª viagem ou não estivermos habituados a lidar com crianças.

Hoje o Pedro tem 17 meses e já perdi a conta ao número de vezes que ficou doente.

O que aprendi?

A ter calma…

Na verdade a imunidade deles está a desenvolver-se e é perfeitamente normal ficarem doentes, sobretudo se partilharem outros espaços com crianças. A maioria das infeções adquiridas nesta fase são benignas e auto-limitadas. Não vale a pena mantê-los em redomas de vidro, pois o lugar deles é no MUNDO a explorar, a conhecer, a meter as mãos à boca, partilharem brinquedos com outras crianças… Num mundo onde há gérmenes que até já perdemos a conta!

 

Fonte: http://revistacrescer.globo.com

 

E quando estão doentes devemos privilegiar o seu descanso e afastá-los da creche/ infantário ou escola.  É difícil gerir esta necessidade de afastamento com o trabalho dos pais, pior ainda, se não houver uma boa retaguarda familiar (avós, tios, padrinhos). Na verdade, existe um subsídio para assistência a filho, que é nem mais, nem menos que “um apoio em dinheiro dado às pessoas que têm que faltar ao trabalho para prestar assistência urgente e necessária aos filhos (biológicos, adotados ou do seu cônjuge), em caso de doença ou acidente“.  Neste caso, para assistência na doença ou acidente a filhos menores de 12 anos, ou sem limite de idade, em caso de filho com deficiência ou doença crónica, cada progenitor (pai) tem direito a faltar ao trabalho até 30 dias por ano civil, seguidos ou interpolados, ou durante todo o período de eventual hospitalização, tendo direito ao correspondente subsídio da Segurança Social durante esses dias de faltas.

Contudo, apesar deste apoio, por vezes é difícil gerir as faltas ao trabalho e as responsabilidades para com a(s) entidade(s) patronais. 

Mas sabe quanto tempo de evição escolar está aconselhado para cada doença?

 

Existem doenças com evição escolar OBRIGATÓRIA, o que quer dizer que no caso dessas doenças, as crianças devem ser afastadas das suas atividades, quer pela sua gravidade, quer pelo risco de transmissão a outras crianças/ indivíduos. As doenças de evição escolar obrigatória estão designadas no Decreto Regulamentar nº 3/95 de 27-01 que determina o período de afastamento mínimo obrigatório. As doenças previstas neste decreto lei são: Difteria, Escarlatina e outras infeções naso-faríngeas por estreptococus hemolítico do grupo A, Febres tifóides e paratifóides, Hepatite A, Hepatite B, Impétigo, Infeções meningocócicas (meningite e sépsis), Parotidite Epidémica, Poliomielite, Rubéola, Sarampo, Tinha, Tosse Convulsa, Tuberculose Pulmonar e Varicela. Muitas destas doenças foram eliminadas ou controladas, graças à vacinação gratuita e universal prevista no nosso Plano Nacional de Vacinação (PNV) (leia mais sobre “Porque devemos vacinar os nossos filhos sem hesitar“).

 

Sendo um decreto lei de 1995, encontra-se desatualizado, e as doenças que observámos mais frequentemente na prática clínica e em contexto escolar são: impétigo, escarlatina, outras infeções naso-faríngeas por estreptococus hemolítico do grupo A e varicela.

 

Claro que o arsenal de doenças infeciosas que qualquer criança pode ter NÃO SE ESGOTA NESTE DECRETO LEI, pelo que existem mais doenças que podem, certamente, recomendar o afastamento escolar, quer para o bem estar da própria criança, quer para evitar/ limitar a sua transmissão. Sabe quantos dias pode estar recomendada evição escolar em caso de conjuntivite, doença mão pé e boca, herpes, mononucleose infeciosa (doença dos beijos), ou outras quantas doenças? Por isso, tomei a liberdade de fazer uma compilação de mais doenças não previstas no decreto lei para ajudar numa eventual tomada de decisão quanto à evição escolar.

 

Como tal, elaborei um PDF que lista o tempo de evição escolar (tempo de convalescença) para um total de 34 doenças, ordenadas alfabeticamente. Nalgumas situações clínicas pode não existir necessidade de afastamento escolar. Contudo, ALERTO, que esta é uma simples orientação, devendo reinar SEMPRE o bom senso. Isto é um artigo/ tabela meramente orientativa, onde constam as doenças de evição escolar obrigatória, perante as quais devem ser respeitados os tempos mínimos de convalescença e nas demais situações listadas, deve-se ter em atenção o estado geral da criança (se está bem disposta, prostrada, com apetite). Ou seja, nalgumas situações pode ser PRUDENTE alargar o tempo de afastamento escolar/ convalescença, principalmente se a criança não se encontrar totalmente recuperada ou manifestar sinais de desconforto. Noutras situações, como no caso de infeção urinária, pode não estar aconselhada evição escolar, mas se a criança não se encontrar bem para integrar as suas atividades é prudente ser afastada até se encontrar em condições de o fazer.

 

Contudo, a lista em PDF pode estar incompleta, pelo que caso considerem pertinente podem sugerir acrescentar outra entidade clínica. Aceito de bom grado sugestões de melhoria.

 

Tenha acesso ao PDF abaixo:

amaeeos3p-ABC da evição escolar

 

Obrigada por me seguirem

Partilhem este artigo, para chegar ao nº máximo de pais/ cuidadores.

Sónia Moreira

 

Referências bibliográficas:

  • Departamento de Prestações e Contribuições, Guia Prático -Subsídio para Assistência a Filho, Instituto da Segurança Social, I.P.
  • Doenças transmissíveis, evicção escolar e períodos de afastamento – Decreto Regulamentar nº 3/95 de 27-01
  • BC Centre for Disease Control, “A quick guide to Common Clhildhood Diseases”, maio 2009

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