Sónia Moreira

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Como médica e mãe criei este espaço de partilha de informação e de experiências. Ora mais formal, com referências bibliográficas científicas fidedignas para manter os interessados sobre o tema o mais atualizados possível. Ora mais informal, mostrando o lado mais humano dos médicos e pondo a descoberto alguma da experiência que tenho adquirido nestas “areias movediças” que são a Maternidade.

Os protagonistas deste blog são o Pedro, o Pai e o Pirata, rafeiro que adotamos em Junho de 2015 sob o olhar atento desta Mãe/ Esposa/ Médica. Leiam, coloquem dúvidas e partilhem, prometo escrever sobre os mais variados temas que despertam naqueles que convivem com mais “Pedros”, “Pais” e “Piratas”.

UM DIA MAIS MÃE, OUTRO DIA MAIS MÉDICA!
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A minha mensagem de Natal 2018

Sempre gostei muito do Natal. Mas com 32 anos olho para trás e atribuo-lhe significados e sentidos diferentes ao longo dos anos.

Já fui uma menina que acreditou no Pai Natal até por volta dos seus 10 anos.

Já fui uma menina que escreveu uma carta endereçada ao “Pólo Norte” e que recebeu na caixa de correio um mealheiro para montar.

Já fui uma menina que em primeiro lugar da lista de prendas pedia “Livros”.

Já estive em pulgas para usar a roupa que a minha mãe meticulosamente escolhia para mim e para a minha irmã estrearmos no dia 25 de Dezembro.

Já fui uma menina que entretanto percebeu que irmã mais velha (5 anos) já não gostava assim tanto que a mãe nos vestisse iguais nesse dia.

Já fui uma menina que delirava com as festas de natal do trabalho da fábrica da minha mãe e do trabalho do meu pai para receber um presente espetacular completamente surpresa que não constava na lista que fazia. Não sei se ainda fazem o mesmo nos trabalhos da maioria das pessoas ou se ainda o fazem nos antigos trabalhos dos meus pais (fábrica Bastos Viegas e Câmara Municipal do Porto), mas recordo saudosamente a ansiedade por essa festa.

Hoje sou uma menina (vá, é o que muitos utentes ainda me chamam)/mulher, que não faz listas de presentes de Natal. Não tenho assim nada material que deseje com tanta vontade como desejei quando era criança. Não reconheço (AINDA) a menina ansiosa com as prendas de Natal no meu Pedro, pois acho que ainda não compreende o que é o Natal e o que é este consumismo desmedido que nos envolve. E nas crianças com quem convivo à minha volta (maiores, vá) não reconheço essa ansiedade. Hoje as nossas crianças (maioria, vá) têm tudo o que é brinquedo, que nem têm tempo de explorar o verdadeiro potencial de cada um (virar para a direita, esquerda, por baixo, por cima, sem rodas, com rodas, isto repetido 1001 vezes) (LEIA O ARTIGO: “Brinquedos qd precisam-se“). Hoje vejo crianças que apenas o fazem umas 10 vezes (ou menos até), porque entretanto têm outro presente e já se esqueceram do(s) anterior(es). Já se esqueceram dos presentes que receberam nos aniversários anteriores, dos Natais, da Páscoa e outros quantos que receberam para se calarem no supermercado ou para “substituírem”/”compensarem” o pouco tempo que passamos com eles. É difícil incutir-lhes a vontade de quererem com todo o coração e alma um presente como “aquela” que já tive, porque simplesmente os meus pais (E BEM) não me davam tudo o que queria.

E quando vemos alguns brinquedos “mais famosos” esgotados no supermercado a custar acima de 50€ eu só penso “Afinal, não há limites!!!”.

 

Terá a geração dos nossos filhos limites? Ou somos nós (pais, avós, tios, amigos) que não temos?

 

Não sei como serão os Natais cá em casa daqui para a frente. Não sei se algures no tempo perderei a noção dos limites (meus e do meu filho)! Não sei se vou ser aquela mãe eufórica a correr para ir buscar um brinquedo CARO, que se encontre esgotado em todo o lado para fazer as graças do meu filho durante uma semana (ou menos). O que sei é que comprei um Panda qualquer, que é o SUCESSO cá de casa que me custou uns 17€.  Estive na mão com cães e gatos falantes, carros telecomandados… Mas caí em mim, e comprei o tal Panda a um preço mais acessível, do que outros quantos brinquedos aliciantes que apareceram naquelas promoções loucas dos supermercados de brinquedos a 50% ou leve 2 pague 1!!!!!

Posto isto….

O que desejo verdadeiramente e, com a mesma ansiedade da tal menina que outrora já fui, é que haja muita saúde entre os meus amigos e familiares com muita felicidade à mistura. Para nós os 4 cá de casa (Mãe e os 3P’s) desejo que eduquemos o Pedro com bons valores e princípios e que continue feliz (como tem sido até agora). Desejo também TEMPO. TEMPO EM FAMÍLIA. Esse é, nos dias que correm, o presente mais verdadeiro, mais sincero que podemos oferecer uns aos outros.

Um tempo presente, daqueles em que estamos e somos, sem recurso à internet, a facebooks, instagrams e blogs até!!!!!

 

Não quero com este texto dar lições de moral, quero que nos sentemos uns com os outros sem telemóveis, sem televisões, sem tablets com TEMPO, sem correrias. Este é o presente que mais desejo para mim e para todos vocês desse lado que me lêem e seguem!

Feliz Natal :).

Wooooh já é Natal, passou rápido, não foi?

 

 

Ps.: tenho saudades das meias quentinhas que a minha avó me oferecia. Podiam “materialmente” valer pouco, mas é o presente que mais sinto falta por estes dias….

Comentários

  • Adão de Oliveira
    25 Dezembro, 2018

    Gostei. Muito.

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  • Sónia Soares
    27 Dezembro, 2018

    E o presente mais verdadeiro é o brilho dos olhos dos nossos filhos,que na sua inocência pura,fazem dos nossos dias de Natal,um regresso à nossa infância!
    Boas festas Dra! Gostei muito de a conhecer!

    Responder

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