Sónia Moreira

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Como médica e mãe criei este espaço de partilha de informação e de experiências. Ora mais formal, com referências bibliográficas científicas fidedignas para manter os interessados sobre o tema o mais atualizados possível. Ora mais informal, mostrando o lado mais humano dos médicos e pondo a descoberto alguma da experiência que tenho adquirido nestas “areias movediças” que são a Maternidade.

Os protagonistas deste blog são o Pedro, o Pai e o Pirata, rafeiro que adotamos em Junho de 2015 sob o olhar atento desta Mãe/ Esposa/ Médica. Leiam, coloquem dúvidas e partilhem, prometo escrever sobre os mais variados temas que despertam naqueles que convivem com mais “Pedros”, “Pais” e “Piratas”.

UM DIA MAIS MÃE, OUTRO DIA MAIS MÉDICA!
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A mãe também vê séries: “This is us”

Depois do nascimento dum filho, nunca mais temos a disponibilidade de tempo que já tivemos. Por mais que saibamos gerir o nosso precioso tempo entre o trabalho, vida social e hobbies nunca temos tanta disponibilidade como na era “antes de filhos”. Isto não é um lamento, um arrependimento… é simplesmente a constatação dura e crua da maternidade. Na equação do nosso tempo surge agora um ser que nos “espreme” a vontade de sair, ir jantar fora, ir ao cinema, ir a um bar ou discoteca, ler, ver televisão. Há dias que é tanta a correria das rotinas em volta do nosso Pedro, que quando damos conta são 22h e só nos apetece esticar ao comprido e sermos engolidos pelo sofá.

 

Por aqui nunca fui o tipo de pessoa de me deitar muito cedo, estico a minha hora de deitar o máximo que posso a tentar ter algum tempo para mim, para o pai e para as coisas que gosto de fazer. Isto resulta muito bem depois de deitarmos o Pedro, por volta das 21h. Antes, dificilmente conseguimos fazer qualquer coisa que não seja brincar, tentar cozinhar, tentar arrumar, dividida em turnos entre mim e o pai, porque afinal somos uma EQUIPA neste novo desafio da maternidade.

 

Nesse pouco tempo entre a hora de deitar o Pedro e irmos dormir… lá arranjamos um pouco de disponibilidade para ver uma série que temos acompanhado juntos: THIS IS US! Na série “La casa de papel” fiz uma maratona de episódios sozinha pois o pai não se identificava com o enredo. Na série “This is us” temos visto episódio a episódio sempre juntos, pois é uma série mais “consensual” para ambos. Não é uma série WHOOOOOO tipo a série que o pai acompanha assiduamente como “The Game of Thrones“. É uma série para ver em família, sem grandes efeitos especiais, que relata a história de uma família de uma forma simplesmente genial.

 

Realizada por Dan Fogelman, estreou pela primeira vez em Setembro de 2016, altura que comecei a acompanhar, estaria eu no início da minha gravidez. Curioso, pois o ímpeto que me fez começar a seguir foi mesmo a gravidez. Rebecca e Jack são um casal à espera de trigêmios. Na altura pensei… “Se estou grávida, deixa ver se me identifico com alguma coisa daqui”. E assim começou: foi amor à primeira vista. Quando dei por ela já estava colada ao ecrã todas as quintas feiras na Fox Life à espera dum novo episódio.

Embora tenha alguns exageros de típica série americana, com episódios mais rocambolescos, que não consigo identificar na sociedade portuguesa, há temas sobre as quais a série se debruça que são completamente intemporais e facilmente identificáveis em qualquer lar.

 

O elenco da série tem grande reputação e experiência mas dificilmente construímos associações com outras personagens que interpretaram. É como se todos começassem do zero,  ganhando progressivamente cotação no nosso coração e imaginário. Parecem mesmo uma família de carne e osso, e não conseguimos, em momento algum, imaginá-los dissociados uns dos outros.

 

E quem não acompanha ou segue a série pensaria… Família???? E então??? O quão extraordinária pode ser a série… Podia ser: “era uma vez um casal que teve 3 filhos gémeos, cresceram, formaram-se, tiveram filhos e foram felizes para sempre“. A ordem do enredo não é princípio, meio e fim. Nem é fim, meio e princípio (podia ser, também seria interessante). Há muitas “pontas soltas” aqui e acolá e a cassete rebobina ora para trás, ora para a frente conforme os factos vão sendo demonstrados através de “flashbacks“. E vocês pensam… “Que nó na cabeça!”. Não é, não senhor! Aguça a nossa curiosidade e faz-nos olhar com mais atenção para as causas por trás de determinados comportamentos ou acontecimentos. Não dá explicações de bandeja: “ora toma aqui a razão pela qual Rebecca e a filha se afastaram”.

 

E lições de moral? Julgamentos? Sermões?

 

Ninguém é perfeito na série! NINGUÉM. Nem nós mesmos, espetadores, leitores do blog… Mesmo o Jack (pai) não é! Os problemas que as personagens atravessam são problemas do dia a dia, que podem existir na casa de qualquer um de nós. Só para terem noção aborda inúmeras problemáticas como: stress pós-guerra, adoção, racismo, igualdade de direitos entre géneros, adolescência, alcoolismo, obesidade, infertilidade, depressão. E só vai na 3ª temporada.

 

A minha personagem favorita?

 

O Jack Pearson claro. Representado muito bem pelo ator Milo Ventimiglia.

 

Todos que acompanham a série têm certamente o Jack dentro do coração. Já li avaliações da série a criticar a personagem por esse aspeto: pela sua perfeição. Contudo, à medida que vamos vendo a série, sobretudo na 3ª temporada, alguns segredos começam a ser desvendados e tornam a personagem um pouco mais realista.

No meu ponto de vista, o Jack desempenha o papel de pai e marido, mostrando aos telespetadores que a educação e a gestão da casa não são tarefas da mulher, da dona de casa ou da esposa. Jack é para mim a personificação das mudanças sociais que se fizeram sentir nesta última década: um pai cada vez mais presente na vida familiar, que trabalha, que se senta com os filhos a ler, que brinca, que os leva a passear, que “ajuda” a sua esposa, que a acalma nos seus surtos de “descompensação” de mãe de 3 filhos!

E para fugir à maioria das preferências de personagens favoritas, desafiei-me a escolher outra, que não o Jack.

Para mim é William Hill (Ron Cephas Jones e Jermel Nakia). Embora com um passado muito negro de abuso de droga é uma personagem extremamente frágil, bondosa, paciente e a prova que não podemos emitir juízos sobre ninguém sem conhecer como chegou até ali. Mais não posso dizer, pois poderei desvendar factos que quero que descubram em frente à televisão, enroscados no sofá, num serão em família.

 

Convencidos?

Vamos a prémios…This is us é uma série de sucesso que conta já com inúmeras nomeações e prémios, entre os quais um Emmy Awards de 2017 de melhor ator em série de drama para Sterling K. Brown (intérprete adulto de Randall Pearson), tornando-se o primeiro ator negro a vencer o prémio em 19 anos!!!!

 

E então já têm planos para a próxima quinta?

 Há por aqui “viciados” COMO EU nesta série?

Obrigada por me seguirem

beijinhos

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