Sónia Moreira

Widget Image
Widget Image

Como médica e mãe criei este espaço de partilha de informação e de experiências. Ora mais formal, com referências bibliográficas científicas fidedignas para manter os interessados sobre o tema o mais atualizados possível. Ora mais informal, mostrando o lado mais humano dos médicos e pondo a descoberto alguma da experiência que tenho adquirido nestas “areias movediças” que são a Maternidade.

Os protagonistas deste blog são o Pedro, o Pai e o Pirata, rafeiro que adotamos em Junho de 2015 sob o olhar atento desta Mãe/ Esposa/ Médica. Leiam, coloquem dúvidas e partilhem, prometo escrever sobre os mais variados temas que despertam naqueles que convivem com mais “Pedros”, “Pais” e “Piratas”.

UM DIA MAIS MÃE, OUTRO DIA MAIS MÉDICA!
Image Alt

Os avós são a “salvação” dos netos e dos pais dos nossos dias

 

FELIZ DIA DOS AVÓS

Nos tempos de hoje é difícil ser avô/avó. Muito mais difícil que antigamente, disso não tenho qualquer dúvida. E tudo por “culpa” dos pais! Pela pressa constante em que vivem, pela falta de paciência, pelas inúmeras exigências em todas as vertentes (trabalho, casa, sociedade). Sei lá: pelo cansaço! Hoje em dia, a nossa vida é tão POLUÍDA que atrapalha a tarefa mais simples que alguma vez existiu que é ser avô/avó. Os pais vivem numa correria medonha, assustadora até! E os avós (trabalhem ou não) estão ali para o que der e vier a apoiar os filhos e netos em TUDO.

O melhor exemplo deste APOIO INCONDICIONAL que posso partilhar convosco é aquele que os meus pais/sogros me deram/dão quando o Pedro está doente. Eu sei, sou médica e tal. Ironia do destino, desde que o Pedrinho foi para a creche já teve inúmeras vezes doente e  não pude ficar com ele a 100% até à sua recuperação completa. Numa sociedade que “apoia” a parentalidade em vários domínios, entre os quais, na assistência à doença dos filhos, o que nos vale são mesmo os avós. Onde já estariam os 30 dias anuais que tenho direito se não fossem os meus pais e sogros!

E não só… Não é só no apoio à doença dos nossos filhos que eles nos valem!

Depois de um dia de trabalho, os avós transformam a tarefa mais difícil que é meter uma colher de sopa na boca dum neto, num momento de diversão. Cantarolam músicas diferentes da do “Panda” ou “Atirei o pau ao gato”. Atiram e apanham a bola vezes sem conta, sem perder a paciência. Inventam histórias com pedras e paus, sem recurso a gadgets complicados que prometem manter os miúdos focados durante… 30 minutos! Tudo parece mais fácil nas mãos dos avós.

De entre todas as tarefas, de longe, a mais difícil para os avós é lidar com as exigências dos próprios filhos.

Contra mim e a maioria dos pais falo!

Indicações extensas, recados imensos, 1000 cuidados que até perdemos (nós pais) a noção do ridículo. Há um texto do jornalista Paulo Farinha publicado há aproximadamente um ano intitulado “Recados para uma avó que vai ficar com os netos alguns dias em Agosto” que vale muito a pena ler.

Se nós (pais) sobrevivemos como filhos nas suas mãos, eis a prova que os avós já passaram nesse teste. Ai e tal já passou muito tempo! Os tempos são outros e podem se ter esquecido. Tudo argumentos inválidos! Temos a aprender MUITO com eles.

E no meio da azáfama toda do quotidiano, das inúmeras atividades que os pais têm a seu encargo não exercemos em pleno, tanto quanto desejaríamos, o papel de pais e “entregamo-los” a cargo dos avós na esperança que preencham o vazio que a culpa nos deixa. Culpa em diversas vertentes. Culpa por não ficarmos com eles quando estão doentes, culpa por não brincar mais com eles numa entrega a 100%, completamente alheios ao telemóvel, à internet, ao computador, à televisão e outras quantas distrações (nossas e deles). Culpa por estarmos a tentar fazer o jantar e fingir que brincamos com eles ou os distraímos. Culpa por não fazermos uma sopa tão boa quanto a deles. E nós filhos “esprememos” os bons avós, passamo-lhes o “stress” e a correria em que vivemos, sobretudo numa altura em que querem estar em descanso a usufruir do sossego duma pré-reforma ou reforma. Sim, os avós também estão cansados.

Somos pais teoricamente mais sábios. Teoricamente sim. Na prática estamos a anos luz de chegar aos seus calcanhares. Vamos ao médico de família e pediatra, lemos na internet, lemos em blogs, sites de pediatria, grupos de ajuda de mamãs e “achamos” convictamente que percebemos muito de como cuidar de filhos. Sabemos tudo sobre alimentos biológicos, leites, parentalidade positiva, teorias para trás e para a frente. (Atenção, não quero descredibilizar tudo do mais científico que escrevi até agora!)

Quero é que percebam de uma vez por todas que o convívio com os avós é o melhor que podemos oferecer aos nossos filhos.

Mas um convívio livre de pressas, pressões ou stress.

E no que toca a educação ouvimos frequentemente a premissa “os pais educam, os avós estragam“. Qual “estragam” qual carapuça!!! Os avós preenchem os nossos filhos com amor, dedicação, paciência.. e educação também. Mas uma educação sem pressa, sem stress, sem pressão. Uma educação tão pura que até há quem os chame “Pais duas vezes” ou “pais com açucar”.

Eu, na qualidade de neta, só tenho boas recordações dos meus avós. Neste momento, entre nós só tenho a avó Lucinda. Embora não esteja tanto quanto desejava estar com ela, espero que saiba o quão eu e restantes netos a estimam, a admiram e agradecem tudo o que nos ensinou e ajudou até agora.

E embora já não esteja entre nós, tenho uma estrelinha lá no céu chamada Sara. Deixou-nos cedo mas fez por deixar a sua marca em diversas fases da minha vida.

A minha irmã Sara, a minha avó Sara e Eu.

Houve uma vez, que não sei bem quando, que foi à minha escola falar da vida de antigamente: da agricultura, da sabedoria popular, das fases da lua e sua interferência na plantação de cebolas. De assuntos que os mais novos nem se dignam a saber! Falou do que sabia, numa linguagem tão simples e da melhor forma que se soube exprimir… Todos ficaram deliciados a ouvir a “avó da Sónia”. Na ocasião senti muito orgulho em ouvir tão sábias palavras da boca da “MINHA AVÓ”. No final, aplaudiram e ela orgulhosamente, daí para a frente, contava a todos que a iam visitar “bateram-me palmas, como se eu fosse importante“.
Já depois disso, em 2004, com muitas dificuldades em caminhar veio à latada na Covilhã. Na bênção das pastas e, já sem muita saúde, mandou um raminho de rosas amarelas que decorou a minha cómoda durante muito tempo.

Carolina Ruão no livro “Retalhos da minha vida” também falou sobre ela e demonstrou ao mundo a mulher que foi.

Deixou sempre a sua marca em momentos importantes da minha vida e de muitos outros que a conheceram.

É destas “marcas” que os netos precisam. E os pais, asfixiados pelas inúmeras tarefas de hoje em dia também! Um ENORME OBRIGADA A TODOS OS AVÓS!

E por aí há muitos avós? Se sim, muito obrigada por estarem desse lado.

Sigam-me nas redes sociais e subscrevam o site sem qualquer custo.

 

 

Referências bibliográficas:

(1) https://www.noticiasmagazine.pt/2017/paulo-farinha-recados-avo/, acesso em 25 de Julho de 2018.

Comentários

  • Odete madureira
    27 Julho, 2018

    Tao verdade…..

    Responder
  • Maria Celeste
    29 Julho, 2018

    Texto maravilhoso e verdadeiro .sou avó de três . Cuido e os amo de paixão . Amei.! Beijos
    .

    Responder

O seu comentário...