Sónia Moreira

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Como médica e mãe criei este espaço de partilha de informação e de experiências. Ora mais formal, com referências bibliográficas científicas fidedignas para manter os interessados sobre o tema o mais atualizados possível. Ora mais informal, mostrando o lado mais humano dos médicos e pondo a descoberto alguma da experiência que tenho adquirido nestas “areias movediças” que são a Maternidade.

Os protagonistas deste blog são o Pedro, o Pai e o Pirata, rafeiro que adotamos em Junho de 2015 sob o olhar atento desta Mãe/ Esposa/ Médica. Leiam, coloquem dúvidas e partilhem, prometo escrever sobre os mais variados temas que despertam naqueles que convivem com mais “Pedros”, “Pais” e “Piratas”.

Um dia mais mãe, outro dia mais médica!
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Proteção solar nas crianças – o que deve saber!

Proteção solar nas crianças – o que deve saber!

 

Este ano o Verão parece estar mais tímido mas certamente virá com todo o seu esplendor junto com as tão merecidas férias.

 

 

Contudo, mesmo assim é importante relembrar as principais medidas de proteção solar a ter em conta nesta altura. Contudo, relembro que esta é uma preocupação que deverá ter durante o resto do ano.

A pele dos bebés e crianças é mais sensível! Portanto, qualquer queimadura na infância multiplica as probabilidades de ter cancro de pele na vida adulta.

 

1. Porque é importante falar em proteção solar?

 

A exposição excessiva à radiação ultravioleta pode conduzir a mutações/ alterações genéticas da pele que predispõem ao desenvolvimento de cancro cutâneo. A radiação ultravioleta a que estamos expostos subdivide-se, grosso modo, em radiação UVA e UVB.

Radiação UVA – corresponde a 95% de radiação que atinge a superfície da Terra, contudo é menos intensa que a radiação UVB. É 30 a 50 vezes mais prevalente que a radiação UVB.

A radiação UVA penetra mais profundamente na pele que a radiação UVB. Tem um papel no início e desenvolvimento do cancro cutâneo. Esta é a radiação que contribui para o bronzeamento da pele e que está presente nos solários.

Penetra facilmente nas nuvens e óculos de sol.

Radiação UVB – corresponde a 5% de radiação que atinge a superfície da Terra sendo a responsável pelas queimaduras solares, danificando mais facilmente as camadas superficiais da pele. Os raios UVB podem queimar e danificar a pele durante todo o ano, especialmente em altas altitudes e em superfícies reflexivas como neve ou gelo, onde chegam a 80% dos raios, atingindo a pele duas vezes.

Radiação UV e Pele. Fonte: https://www.skincancer.org/prevention/uva-and-uvb

2. Como proteger os nossos bebés?

 

A Fundação de Cancro Cutâneo (Skin Cancer Foundation) aconselha a evição direta do sol pelas crianças com idade inferior a 6 meses, ao invés de usar proteção solar. Assim sendo, nesta idade aconselham o uso de óculos de sol com filtro UV, sobretudo devido ao facto da melanina dos seus olhos ainda estar em formação.

Assim, é aconselhado que após os 6 meses de idade deve começar a usar protetores solares.

A Sociedade Americana de Pediatria também considera que deve ser evitada exposição direta ao sol antes dos 6 meses de idade, privilegiando as sombras (debaixo duma árvore, guarda-sol ou carrinho). Contudo, quando a roupa ou sombra adequada não estão disponíveis os pais podem aplicar protetor solar com FPS 15 em zonas como rosto e dorso das mãos em pequenas quantidades.

Adicionalmente, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo é, entre todas as organizações pesquisadas a mais conservadora, considerando que a exposição direta ao sol deve ser evitada no 1º ano de vida. Para além disso, aconselha a colocação de creme protetor com factor de proteção igual ou superior a 30. A mesma associação aconselha a evição da exposição solar entre o meio dia e as 16h.

 

Assim, quais os aspetos a ter em consideração com os protetores solares?

– Amplo espectro;

– Resistente à água;

– Com fator de proteção solar mínimo (FPS) de 30 (sim, mais vale “jogar” pelo seguro e preferir um  FPS superior);

– Prefira ingredientes ativos como óxido de zinco e dióxido de titânio pois tratam-se de filtros físicos que não dependem da absorção de produtos químicos e, como tal, com menor probabilidade de causar reação na pele;

– Deve testar previamente o protetor solar no interior do pulso do bebé. Em caso de irritação, usar um protetor alternativo;

– Espalhar protetor em todas as áreas expostas (assim sendo, não esquecer: costas das mãos, rosto, orelhas, pescoço, pés);

– Aplicar o protetor 30 minutos antes de sair ou de se expor ao sol;

– Reaplicar o protetor solar a cada 2 horas ou mais regularmente, em caso do bebé ter estado em contacto com água ou a suar.

 

3. Na escolha do protetor solar o que ter em consideração?

 

Grosso modo, a eficácia dos protetores solares pode ser “medida” através do seu Factor de Proteção Solar (FPS). ATENÇÃO, o FPS não indica por si só a “quantidade de proteção solar”, mas estima o tempo que levará para que os raios UVB avermelhem a pele ao usar um filtro solar, comparativamente com o tempo a pele levaria a queimar sem o seu uso.

Exemplo.:

FPS 15: um pessoa que use o FPS 15 irá levar 15 vezes mais tempo para ficar vermelho/”queimado” do que sem qualquer filtro solar.

Assim, na escolha de proteção solar deverá selecionar ingredientes que protejam contra ambos os tipos de raios: UVA e UVB. Por isso, escolha SEMPRE um fator de proteção acima de 15 ou mais e uma combinação dos seguintes ingredientes: avobenzona, ecamsule (a. K. a. MexorylTM), oxybenzone, dióxido de titânio e óxido de zinco.

Existem atualmente 17 ingredientes ativos aprovados pelo Food Drug and Administration (FDA) para uso em protetores solares. Esses filtros dividem-se em duas grandes categorias: química e física. A maioria dos filtros UV é química através da formação duma fina película protetora na superfície da pele, absorvendo a radiação UV antes de penetrar na pele. Os filtros solares físicos são partículas insolúveis que refletem os raios UV da pele.

A maioria dos filtros solares contém uma mistura de ingredientes ativos químicos e físicos.

 

Ingredientes dos protetores solares aprovados pela FDA. Fonte: https://www.skincancer.org/prevention/uva-and-uvb

 

Assim sendo, a DECO Proteste testou em laboratório 15 protetores solares para crianças com FPS 50+ à venda em supermercados, farmácias, parafarmácias e perfumarias, por isso deixo o link caso estejam indecisos sobre o que devem adquirir.

 

4. E quanto ao vestuário, o que deve ter em consideração?

 

– Usar roupas que protegem do sol, nomeadamente de cor escura, pois absorvem menos radiação solar;

– Usar roupas que cubram o máximo de pele possível, pois reduzem a pele exposta à radiação direta;

– Preferir roupas com trama mais estreita;

– Preferir roupas compostas por algodão, poliéster  e materiais de linho pois são leves, frescos e podem proteger contra 95% da radiação UV;

– Prefira materiais que mantêm  sua função protectora mesmo depois de molhados, como o caso da licra;

– Prefira roupas/ tecidos que especifiquem o seu factor de proteção solar de modo a prevenir a passagem da radiação, sem alterar as suas características e conforto.

No entanto, no caso da roupa o mais adequado é falar em Factor de Proteção Ultravioleta (UPF) que indica a quantidade de radiação UV que é absorvida pela peça de roupa e é o equivalente ao Fator de Proteção Solar (FPS) nos protetores solares.

Assim sendo, quanto maior for o valor de UPF menor é a quantidade de radiação UV que atinge a pele.

Consideram-se três categorias de proteção UPF:
1. entre 15 e 14 – boa proteção UV;
2. entre 25 e 39 – muito boa proteção UV;
3. entre 40 e 50 – excelente proteção UV.

Roupa com UPF acima de 50 são denominados UPF 50+ mas, no entanto, poderão não oferecer substancialmente mais proteção que roupa UPF 50. Uma peça de vestuário que tenha um UPF menor que 15 não deverá ser etiquetada como protetora UV. Contudo, a eficácia deste tipo de vestuário também diminui com o facto de este se encontrar molhado, esticado ou desgastado.

 

5. E por aqui o que se faz?

 

Quem me conhece sabe que sou um “copinho de leite”, se não puser base pela manhã sou tão pálida que me perguntam todo o dia se estou doente ou se dormi bem. Como diz o ditado, “quem sai aos seus não degenera”. Por isso, o nosso Pedrinho não tem a quem sair moreno. Por isso, por aqui não se facilita. Sigo as recomendações mais conservadoras e intensifico-as. O nosso protetor solar é FPS 50, sim daqueles que funcionam como autênticos reflectores das radiações. Portanto… Tudo a postos para receber o Verão, o calor e o sol… É rezar para que estes dias de chuva terminem de uma vez por todas e “reservar” um lugarzinho na praia para que o nosso “pingo de gente” possa usufruir das primeiras férias em família!

Deixo um pdf final resumo com todas estas recomendações para consulta ou para imprimir. Portanto, qualquer dúvida estou ao completo dispor.

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Referências bibliográficas:

(1) https://www.skincancer.org/prevention/sun-protection/children/oh-baby, acesso em 30 de Junho de 2018

(2) https://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=11543, acesso a 30 de Junho de 2018

(3)https://www.deco.proteste.pt/saude/beleza-cuidados-pele/testes/protetores-solares-para-criancas/results, acesso a 30 de Junho de 2018

(4) http://www.sunsmart.com.au/downloads/communities/early-childhood-primary-school/ec-sample-sunsmart-policy.pdf, acesso a 30 de Junho de 2018

(5) http://www.apcancrocutaneo.pt/index.php/prevencao, acesso a 30 de Junho de 2018

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