Sónia Moreira

Widget Image
Widget Image

Como médica e mãe criei este espaço de partilha de informação e de experiências. Ora mais formal, com referências bibliográficas científicas fidedignas para manter os interessados sobre o tema o mais atualizados possível. Ora mais informal, mostrando o lado mais humano dos médicos e pondo a descoberto alguma da experiência que tenho adquirido nestas “areias movediças” que são a Maternidade.

Os protagonistas deste blog são o Pedro, o Pai e o Pirata, rafeiro que adotamos em Junho de 2015 sob o olhar atento desta Mãe/ Esposa/ Médica. Leiam, coloquem dúvidas e partilhem, prometo escrever sobre os mais variados temas que despertam naqueles que convivem com mais “Pedros”, “Pais” e “Piratas”.

UM DIA MAIS MÃE, OUTRO DIA MAIS MÉDICA!
Image Alt

Socorro, o meu filho chucha no dedo!

O Pedrinho nunca gostou de chupeta desde que nasceu embora eu me tenha esforçado muito para que gostasse. Porquê? Como diz a sabedoria popular “Torna-os mais mansinhos” e, sim, eu queria ter um filho “manso”. Tal como recomendado nas aulas de preparação para o parto não a incluí na lista de coisas a levar para a maternidade, com receio que fosse interferir negativamente na amamentação. Também verdade seja dita, não foi preciso acalmá-lo no hospital pois praticamente não ouvimos pinta de choro. Mas em casa… Ai, em casa… Na primeira noite é que foram elas. Tinha uma chupeta que me ofereceram nas aulas de preparação para o parto e foi mesmo essa que usei. Mergulhei-a no famoso Aero-OM e mesmo assim não foi amor à primeira vista. Lá fui insistindo, comprei mais umas duas chupetas… Ficava toda contente quando permanecia mais uns segundos a mais que o habitual. Dos 2 aos 3 meses gostava duma para dormir, mas depois de adormecer ela caía e ele não se importava mais com o paradeiro dela. Depois vieram os 3- 4 meses e aquele interesse muito grande pelas mãos e pelos deditos e…  pumba!!! Ficou a saber o quão eram saborosos (sem o Aero-OM, claro). E começou a usar e abusar dos dedos na boca para se acalmar, para dormir, para tudo! Confesso que é amoroso. Foi um hábito que se foi aprimorando e agora prefere o polegar de qualquer uma das mãos. Quando está de barriguita para baixo e com sono mete o polegar à boca e raspa os outros dedos na mantinha onde está deitado. Se estiver de barriga para o ar ou sentado abana os restantes 4 dedos no ar como se estivesse a tocar flauta. NUNCA pensei contrariar este hábito, julgava que perdia espontaneamente, quando arranjasse outras formas alternativas de se acalmar, como uma naninha ou um peluche.

Até que no outro dia fui a uma palestra sobre maternidade que abordava os cuidados a ter com a boca/ dentes do bebé por uma odontopediatra… E quando falou sobre o hábito de chuchar no dedo liguei as antenas para prestar o máximo de atenção. Foram exibidas diversas fotos com os inúmeros problemas que podem afetar os bebés que usam a chupeta e dedos. Há forma de evitar que chuchem no dedo? Pelos vistos há imensas, que desconhecia completamente, desde luvas, ligaduras para prender os cotovelos e outras. Ainda descobri mais uns quantos gadgets na internet que prometem ajudar as crianças e os papás preocupados com estas questões, como o Dr. Finger(para ambas as mãos). Chegada a parte da discussão, decidi pôr o dedo no ar e questionar se é suposto intervir ou contrariar este hábito numa criança de 5 meses. Qual não foi o meu espanto quando me responderam taxativamente “Sim”, “Quanto mais cedo melhor”. WHAT?? Desculpem-me os dentistas, odontopediatras e os especialistas nesta matéria. É suposto mesmo contrariar este hábito tão precocemente?

Depois do que ouvi decidi levar a cabo uma pesquisa em fontes científicas credíveis e até encontrei um livro que se dedica a falar sobre o tema (1), mas não, não vou comprá-lo. Em Portugal não encontrei nenhuma recomendação sobre o assunto. Encontrei algo na American Academy of Pediatrics (AAP) e aí sim, respirei de alívio! São claramente menos intervencionistas. Consideram que o chuchar no dedo só se torna um problema se persistir após os 2-4 anos. A melhor estratégia inicial para fomentar o abandono desse hábito é mesmo IGNORAR (2). A maioria abandona esse hábito espontaneamente por pressão dos pares, muito antes de ingressar na escola. Isto soou a música para os meus ouvidos J.

Mas vos garanto, mesmo que não encontrasse nada sobre este tema a favor do não intervir já, não o ia fazer, ponto! É algo que o acalma e vou deixar estar assim até quando achar que isso se tornou um problema. Pondo toda a medicina de parte, este é o meu coração de mãe a falar quando olho para ele e o vejo em paz e sossego com o polegar na boca.

Termino este texto transcrevendo a primeira frase do que encontrei no site do American Academy of Pediatrics ” Does your baby suck his thumb? Don’t worry” (3) e eu acrescento “Be happy”.  Alguém por aí com meninos maiores que já tiveram este hábito? Mas, por favor, contem-me histórias felizes!

(1) Rosemarie Van Norman (1998). Helping the Thumb-Sucking Child : A Practical Guide for Parents

(2) Healthy Children. Pacifiers and Thumb Sucking. Disponível em:  https://www.healthychildren.org/English/ages-stages/baby/crying-colic/Pages/Pacifiers-and-Thumb-Sucking.aspx. Acesso a 7 de novembro de 2017.

(3) American Academy of Pediatrics. Disponível em: https://www.aap.org/en-us/about-the-aap/aap-press-room/aap-press-room-media-center/Pages/Thumbsucking.aspx. Acesso a 7 de novembro de 2017

Comentários

  • Isabel Marques
    7 Novembro, 2017

    Parabéns pelo blog e pela maternidade!
    Quanto ao vício do dedo, a minha filha não teve, mas tenho uma irmã que foi uma fiel adepta do dedo até bem tarde. Foi deixando quando ganhou consciência da vergonha e do gozo de que começava a ser alvo.
    Na verdade, já na escola primária ainda recorria ao dedo quando ficava frustrada ou magoada. Claro que procurava esconder…
    Consequências: o polegar mais magro e os dentes um pouco para a frente. Como hoje, todos usam aparelhos, mais cedo ou mais tarde, não te aflijas, porque de acordo com a minha experiência de mãe, os filhos sabem bem decidir por eles quando chegou a hora de fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Beijinhos
    PS – aproveita-o enquanto é pequenino, pois crescem depressa demais.

    Responder
    • Sónia Moreira
      8 Novembro, 2017

      Muito obrigada 🙂 É verdade, o tempo passa num instante! Já quase que nem quer colinho!
      Posso estar enganada, mas julgo que foi minha professora de francês, certo?
      Beijinho

      Responder
  • Patrícia Azevedo
    7 Novembro, 2017

    Parabéns pelo Blog. Um beijinho grande para o Pedrinho.
    Sónia o meu filho deixou de mamar no biberão tinha cerca de 9 anos. Mamava por vício sem nada lá dentro. Nunca quis chupeta desde bebé. Um dia o gato roeu o bico do biberão e ele nunca mais o quis. Como não tinha o biberão começou a mamar no Polegar quando dorme. Hoje tem quase 14 anos e continua com o mesmo vício. Não chamo a atenção porque ele não dá conta do que está a fazer, talvez ainda pense quando mamava no biberão para dormir. Graças a Deus tem o dedo perfeitinho e até hoje não trouxe qualquer problema. Beijinhos

    Responder
    • Sónia Moreira
      8 Novembro, 2017

      Obrigada pelo comentário 🙂 Passando a adolescência vai parar concerteza! Um beijinho

      Responder

O seu comentário...