Sónia Moreira

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Como médica e mãe criei este espaço de partilha de informação e de experiências. Ora mais formal, com referências bibliográficas científicas fidedignas para manter os interessados sobre o tema o mais atualizados possível. Ora mais informal, mostrando o lado mais humano dos médicos e pondo a descoberto alguma da experiência que tenho adquirido nestas “areias movediças” que são a Maternidade.

Os protagonistas deste blog são o Pedro, o Pai e o Pirata, rafeiro que adotamos em Junho de 2015 sob o olhar atento desta Mãe/ Esposa/ Médica. Leiam, coloquem dúvidas e partilhem, prometo escrever sobre os mais variados temas que despertam naqueles que convivem com mais “Pedros”, “Pais” e “Piratas”.

Um dia mais mãe, outro dia mais médica!
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Brinquedos qb precisam-se!

Chegada a esta época vem a animação por saber que se aproxima o primeiro Natal do Pedrinho. Aconselham os entendidos na matéria a fazer uma lista de presentes ao Pai Natal em conjunto com os filhos de forma a “encurtar” uma lista tendencialmente longa e a valorizarem o que irão receber. Quantos brinquedos deve ter essa lista? Não é preciso ser nenhum expert, psicólogo, médico, professor para saber que essa lista deverá conter poucos brinquedos. A dúvida surge em saber o nº exacto, visto que a quantidade “pouca” varia consoante as cabeças. O Pedrinho ainda não faz listas, cabe essa função a nós pais. A somar a essa lista devemos contabilizar o que provavelmente irá receber da família e dos amigos. Confesso que quando olho para a carinha fofa do Pedrinho sinto uma vontade imensa em lhe dar tudo o que aparece rotulado acima dos 6 meses. Por isso, isto também é um exercício para os pais, saberem dizer mentalmente “Alto”. E não é fácil, não.

 

A nossa árvore de Natal cá de casa com um adereço lindo “My first Christmas”. Adoro!

 

Há cerca de duas semanas recebi um desconto em cartão de um supermercado que oferecia 10€ (ressalve-se, em cartão) na compra de 30€ em brinquedos. Pensei “Vou comprar algo para a minha sobrinha”. Tive na mão com um brinquedo que custava 24€ e pensei…. “Que chatice, devia custar pelo menos 30€”. Entretanto pensei “Já sei, vou comprar uma prendinha pequenina para o Pedrinho até perfazer 30€”. Cheguei à caixa e aí dei conta que só entraria em vigor no dia seguinte. Guardei-o na carteira com intenções de ir lá durante a semana. Acabei por ter uma semana tão preenchida que deixei passar o prazo. Mas não me arrependo. Já comprei a prenda da minha sobrinha, mas não comprei nada “pequeno” só porque “sim” ao Pedrinho. Reflecti melhor e percebi que estragamos as nossas crianças com demasiadas opções de brinquedos e eles, pobres criaturas, perdem o foco e não usufruem de cada um tanto quanto desejaríamos. Apercebemo-nos desse desinteresse e em pouco tempo tentámos “compensar” com uma bugiganga ainda mais complexa, ainda mais colorida, ainda mais barulhenta… E temos aí um ciclo vicioso instaurado sem ninguém se aperceber. O Pedrinho tem 6 meses e, sim… Já sinto que tenho que me controlar, imagino quando for maior!

Mas voltemos ao nº “certo” de brinquedos… Um estudo muito recente publicado na Revista  “Infant behavior and development” nos Estado Unidos  testou em 36 crianças com idades compreendidas entre os 18 e 30 meses se o nº de brinquedos no ambiente onde estão influencia a qualidade das suas brincadeiras. Embora tenha sido um estudo pequeno, demonstrou que as crianças com menor número de brinquedos brincam de forma mais criativa, mantendo o foco em cada brinquedo por um período de tempo superior (1). Não surpreendente, pois não?

Quantos brinquedos deverá o Pai Natal oferecer a cada criança? UM, sem peso na consciência. Está tudo dito. Eu sou do tempo em que tinha apenas um e não fiquei traumatizada por isso. E mesmo apontando para um é certo e sabido que cada criança receberá mais que um. Por isso, neste natal vamos dizer não à acumulação de brinquedos e um SIM gigante à criatividade, capacidade de concentração, habilidade e engenho.

 

E por aí, o Pai Natal tem sido pouco ou demasiado generoso com os vossos filhos?

(1) Dauch1 C., Imwalle M., Ocasio B., Metz A. E. The influence of the number of toys in the environment on toddlers’ play. Infant Behavior and Development 50 (2018) 78–87

Comentários

  • Odete madureira
    9 Maio, 2018

    Tal e qual

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  • Ângela Melo
    31 Julho, 2018

    Concordo plenamente! Estamos expectantes para quando chegar o primeiro Natal da nossa Margarida, mas queremos muito limitar este boom de consumismo e anulação da criatividade! Mas… E explicar isto às famílias?? Hum…

    Responder

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